quinta-feira, 13 de julho de 2017

DOA-SE UM ORGULHO

Hoje comemoramos o Dia Internacional do Orgulho LGBT e os posts comemorando em letras garrafais viralizaram na internet. Mas o orgulho é de quê mesmo?

Espere ai! Antes que alguém me achocalhe dizendo que sou preconceituoso, quero deixar claro que não tenho nada contra ser ou não gay. Apenas quero esclarecer que orgulho nós devemos ter quando há algum tipo de escolha ou mérito por nossa parte e, a menos que me provem o contrário, nenhum espermatozoide escolhe como quer nascer ou onde quer nascer.

O mesmo vale para o orgulho gaúcho, nordestino, orgulho negro, etc. Se o homossexualismo não é uma escolha, mas algo que nasce com a pessoa, que orgulho bobo é esse? E a cor da nossa pele então... Não tem lógica se gabar de ser branco, negro ou azul anil. Nasceu no RJ, ótimo, mas não se orgulhe disso. Você não fez nada para que isso acontecesse.


Se pararmos para analisar, friamente, fora da caixa, até aquele grito da torcida brasileira: “Eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”, não tem sentido algum.

Uma resposta até certo ponto lógica para tanto orgulho por ai talvez seja o fato deste ser uma contraposição ao preconceito, uma resposta. Mas eu fico aqui sentado com minha garrafa de café do lado apenas pensando: Se cada diferença fosse motivo de orgulho teríamos além da parada do orgulho gay, a parada do orgulho gordo, ruivo, hétero e dos portadores da síndrome do balaco-baco. Então, haja vagas especiais nas universidades não é mesmo!

A verdade é que o nosso mundo está ficando muito chato. Tudo é discriminatório, pejorativo, preconceituoso! E talvez seja daí que venham a surgir tanta altivez sem fundamento algum.

Enfim, guardemos o nosso orgulho para algo que lutamos para conquistar e não para o que não fizemos o mínimo esforço. Ser gay, negro, branco, gordo, altista deve ser encarado como algo normal. Só isso.

“Quando levantamos bandeiras acabamos também erguendo muros. “

quinta-feira, 2 de março de 2017

Somos alegres demais para sermos felizes de verdade

Quantos dias são necessários para se conhecer uma nação? Mais de 4, com certeza. Pois se eu tivesse pousado no Brasil nesses últimos 4 dias de Carnaval, eu acreditaria piamente que esse país não tem corrupção, trânsito caótico, violência de tudo quanto é tipo, nem uma saúde pública falida, inflação mascarada e muito menos os 13 milhões de desempregados que essa mídia “golpista” insiste em anunciar. Durante a festa da carne tudo por aqui parecia uma enorme Suíça tropical. O Brasil que eu conheci no Carnaval não tem nada do Brasil que eu já conhecia de outros Carnavais.

No Cordão do Bola Preta tudo azul, na Banda de Ipanema não teve propina, no Galo da Madrugada e lá em Olinda os bonecos gigantes homenagearam os nossos políticos com a pompa e elegância que eles não mereciam. E assim foi, os blocos desse nosso Brasil de 4 dias arrastando milhares de brasileiros com rostos repletos de purpurina, vestidos de pierrô, marinheiro e colombina, sempre exibindo suas latas de cervejas e fazendo propaganda de graça nas redes sociais. Viva! Eu sou feliz!

Nos belos desfiles do Rio e São Paulo, onde a paixão vira cifrão num passe de mágica, eu vi pessoas de verdade que pagam caro por suas fantasias e pessoas de mentira, celebridades, musas, que exibem sem a mínima necessidade seus corpos pintados de bronze e seus peitos enormes que balangam mais do que os próprios carros alegóricos – e esses, por sinal, infelizmente maquiaram de vermelho alguns integrantes da sua escola.

Teve cantora descendo pra pipoca pra se sentir quase normal, teve pastor autorizando o desfile da crente fogosa e quase teve o goleiro Bruno passeando pela Sapucaí, já que ninguém protestou a sua saída do presídio. Estávamos muito ocupados sendo alegres.

Quantos policiais deixaram de estar nas ruas por causa do Carnaval? Quantas ambulâncias deixaram de atender o vovô que quase enfartou olhando a mulher seminua desfilar? Quantos buracos deixaram de ser tampados com o dinheiro que as prefeituras gastaram? Quantos morreram em acidentes nas estradas por causa dessa alegria irritante que nós brasileiros teimamos, assim como os africanos, em ter esse orgulho infundado.

Um dia eu quero, de verdade, ser feliz! Que me perdoe Dodô e Osmar, mas atrás “desse” trio elétrico só não vai quem já morreu... Morri!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

DIÁRIO DO INTERNADO

“Meu relato cronológico depois de ficar 5 dias internado em um hospital público de Belo Horizonte”.

Ter 00:42hs – Com muitas dores abdominais eu cheguei a esse hospital público encaminhado por uma UPA para fazer uma tomografia. Fui atendido rapidamente, porém só teria médico para me avaliar às 7 horas da manhã.

Ter 01:00hs - Na busca de um canto para dormir eu só encontrei uma grande sala, a meia luz, cheia de gente dormindo em cadeiras e amontoados no chão. Sala essa que eu resolvi chamar de Woodstock, pela diversidade de pessoas e tanta droga na veia.

Ter 07:00hs - Acordei todo dolorido e já não sabia mais identificar quais eram as dores de antes e as de depois daquela noite. Logo um paciente aparece com balas para vender, era um vendedor ambulante que estava internado com sua carrocinha de doces e tudo mais.

Ter 07:30hs - Um cirurgião avaliou os exames e disse que era mesmo cálculo renal, e dos grandes. Eu teria que internar para fazer uma cirurgia. Pensei: pelo menos eu vou para um leito de verdade né! Que nada! Me colocaram de volta em Woodstock, chamado por eles de leito provisório.

Ter 08:23: Em Wood eu conheci Carlos, 30 dias internado, uma espécie de dono da boca. Ele que me passou as manhas de um banheiro top lá no último andar, já que o mais próximo era um lixo.

Ter 10:00hs - Naquele momento, ganhar na mega sena era achar uma tomada para carregar o meu smartphone.

Ter 12:40hs - Depois de almoçar Carlos me chamou pra fumar um baseado no jardim do hospital. Neguei, claro! Mas filei o biscoito de polvilho dele só pra ele não achar que eu tinha feito desfeita.

Qua 03:00hs - Acordo com uma filha de Deus gritando palavrões e frases do tipo: cadê o médico dessa merda? Foram 2 horas sem dormir por causa da louca. Pensei que estava num manicômio, juro!

Qua 10:00hs – Um travesti xingou até a 5ª geração da enfermeira quando ela entrou em Wood chamando em voz alta por Agnaldo... Bicha pobre, segundo um paciente ao lado.

Qua 13:10hs - Então finalmente uma pessoa do hospital me arrumou uma maca com colchão, lençol e cobertor. Na atual situação aquilo foi praticamente um check-in em um hotel 5 estrelas. Mal sabia eu que agora eu teria que ficar no corredor do hospital.

Qua 22:00hs – Pronto! Eu estava num lugar onde passavam mais ou menos 500 pessoas por dia e trilhões de vírus por hora.

Qua 22:27hs - Um idoso com a cabeça enfaixada, cansado de esperar, atrevidamente abriu a porta de uma sala. Sua acompanhante, a princípio filha, o puxou para fora de forma tão violenta que o jogou no chão. Minha Psicologia Forense desconfia que a faixa na cabeça do velho também é culpa dessa mulher.

Qua 23:00hs - Não há como dormir nesse corredor. Além da movimentação intensa ainda tem a luz forte na cara. Não teve jeito, levei minha maca 5 estrelas para Woodstock. Ainda não tem previsão para realização da minha cirurgia.

Qui 07:00hs - Hoje ao escovar os dentes me senti meio Tom Hanks no filme Náufrago. Barbudo e tentando me adaptar a esse habitat pouco familiar. Minhas roupas limpas também já estavam acabando.

Qui 09:05hs - Depois da bronca da enfermeira eu tive que voltar para o corredor. Ri muito ao ver um velhinho, depois de receber alta de um AVC leve, perguntar: e cerveja doutor, tá liberada?

Qui 11:30hs - As refeições não tem horários certos, são incógnitas, mas a comida é boa. O café da manhã é simples, pão, manteiga e café com leite, mas a graciosidade das copeiras que o servem acabam tornando-o maravilhoso. Deviam dar um aumento para elas.

Qui 11:40hs - Com o passar dos dias a gente acaba fazendo amizades com os funcionários. E por eu também conhecer da área hospitalar percebo que as reclamações são as mesmas: Enfermagem reclama da qualidade dos jelcos (acesso venoso), recepção fala que não tem tempo pra nada e a pessoal da manutenção diz que a diretoria muda os setores com muita frequência e que sobram pra eles. Só os médicos não reclamam. Acho que os salários compensam.

Qui 12:40hs - Ao reencontrar um grande amigo eu me senti como aqueles meninos do antigo desenho Caverna do Dragão voltando pra casa. Ele estava com a boca inflamada e não podia rir. Começamos a contar casos e quase pioro a situação dele. Ainda bem que ele não teve que ficar internado.

Qui 13:00hs - Pronto! Cadê meus chinelos? Bem que me falaram pra deixa-los pendurado na maca. Encontrei-os depois de ficar 40 minutos andando descalço pelo hospital. Estavam nos pés de outro paciente. Dei uma dura no cara mas fiquei com medo dele me enforcar de madrugada.

Qui 15:00hs - Carlos continua comandando a área, mas acho que ele está pensando que eu estou querendo virar rei por aqui. Vou ter que fumar o baseado que ele me ofereceu outro dia só pra não tê-lo como inimigo. Lascou!

Qui 15:10hs - Dois funcionários passam quase meia hora ao lado da minha maca discutindo sobre trocas de plantões e se esquecem que o hospital está cheio. Devem ser concursados, claro!

Qui 17:15hs - Acabo de perder a minha área vip no corredor. É que lá tinha tomada próximo e uma senhora precisaria de estar conectada a um aparelho médico. Entendo a prioridade, mas como eu vou carregar meu celular agora?

Qui 17:50hs - Agora sim, eu não vou mesmo conseguir dormir. Minha maca foi colocada praticamente na recepção do hospital. Vendo pelo lado bom, tem vista pra rua e eu tenho mais possibilidades de fugir.

Qui 18:20hs - Hoje na janta serviram uma canja deliciosa. Se não fosse o pote descartável e a colher de plástico vagabundo que corta a língua, dava pra acreditar que eu estava em um restaurante bacana.

Qui 19:10hs - Minha família veio me visitar, mas como estou internado num leito provisório eles não puderam entrar. Beijos e abraços pelas grades e com os guardas de olho. Fiquei com medo do João (11 anos) pensar que eu estava era preso e liguei depois pedindo pra minha esposa explicar pra ele.

Qui 20:00hs - A portaria agora está mais lotada do que o normal (que nunca é tão normal assim). Muita gente com joelho machucado. Só uma pergunta: Junior Baiano ainda joga?

Sex 02:00hs - Está impossível dormir nesse ponto do corredor, muita gritaria. Fui no posto de enfermagem e consegui permissão para colocar minha maca mais a frente.

Sex 07:20 - Acordo com uma enfermeira ou técnica (como saber né!) falando em tom austero: não pode colocar maca aqui, menino! Fora a parte em que ela me chama de menino, eu não gostei nada nada de ter que me mudar de novo.

Sex 07:40 - Estou sem medicação há mais de 30 horas e sem dor. Por isso resolvi pedir um ultrassom. Quem sabe esse cálculo renal sumiu?

Sex 10:36hs - Resultado do exame: parafraseando Drummond, no meio do caminho "tem" uma pedra. Continuo internado.

Sex 12:40hs - Ao chegar na Central de Internação para fazer um cadastro eu estranhei as grades entre os atendentes e o público. Mas o nível de educação de quem me atendeu acabou fazendo jus à proteção. Vontade de voar nele!

Sex 13:20hs - Acabo de tomar uma medicação mais forte para sanar a dor. As enfermeiras precisam saber que aquele tiquinho de ar que fica na seringa, quando entra na veia dói pra burro.

Sex 14:00hs - Hoje é sexta feira, dia internacional da cerveja e eu aqui só na tomando ampola.

Sex 14:51hs - Nesse momento à minha volta tem 4 pessoas gemendo alto e 5 berrando de dor. Da pra perceber que quem berra é atendido primeiro. E se colocar uns palavrões no meio tem mais prioridade ainda.

Sex 16:00hs - Acho que tem mais policiais escoltando bandidos aqui dentro do que protegendo a população lá fora. Conseguimos juntar dois problemas num só lugar, saúde e segurança pública. É o caos.

Sex 18:13hs - Janta saborosa novamente, porém um bêbado achou uma mosca e exigiu falar com o “mestre cuca”. 10 minutos depois ele vomitou todo o chão, mas tenho certeza que não foi por causa da mosca intrusa.

Sex 22:33hs - O toque de recolher é imposto pelo paciente mais antigo, Carlos. Ele vem apagando algumas luzes e falando:
- Vamos dormir pessoal!
Eu que não sou bobo nada, viro pro canto e fecho os olhos.

Sáb 02:33 - A enfermeira me acorda no meio madruga pra aplicar uma medicação. Mas se na prescrição está escrito "EM CASO DE DOR" e eu tô dormindo aquele sono de princesa, não era pra ela passar direto? Não deixei.

Sáb 06:50hs - Depois de uma boa noite de sono, sou acordado pelo Bochecha dizendo que vai pedir para ir embora. O caboclo tá com um lado do rosto todo inchado, morrendo de dor e ainda assim prefere ir pra casa. Acho que o convenci de ficar.

Sáb 10:28hs - Me pego pensando no que eu estaria fazendo se estivesse em casa e chego conclusão que seria o mesmo que estou fazendo agora: nada. Mas um nada com WiFi, Coca-Cola e o aconchego da família é bem melhor né!

Sáb 11:47hs - Refizeram vários exames e o resultado é: sem infecção, sem inflamação, sem anemia, sem bactérias, batimentos cardíacos e pressão normais. Uai. Essa pedra deve ser mesmo preciosa, viu! Eu estava todo lenhado antes dela.

Sáb 13:00hs - Relembrando novamente Drummond: "Havia uma pedra no meio do caminho". Preste atenção no tempo do verbo heim! HAVIA. A pedra acabou de sair na minha urina sem necessidade de cirurgia.

Sáb 13:30hs - Estou de alta.

sábado, 10 de outubro de 2015

HOMEM COM GRAVATA DE NÓ PRONTO

Está sempre na balada com olhar de galã e roupa de marca. Geralmente ele é perfeito e nunca erra. Não é engraçado mas tem umas piadas prontas que te fazem dar aquele sorriso de canto de boca. Fala mais do que você no primeiro encontro e em cinco minutos você já se tudo sobre ele, inclusive sobre o seu curso superior em sei lá o que feito sei lá aonde. Se ele sair com você vai ter que rolar, o importante é ter algo pra contar para os seus amigos que na verdade nem são tão amigos dele assim. Ele está sempre fazendo marketing pessoal, é o melhor em tudo. Mas tem a humildade para confessar dois erros: ser perfeccionista e sincero demais. Compra abadá mas não usa, pois tem que mostrar seus bíceps que só não são maiores do que o seu ego. Tira foto sem camisa na rede social porque tá calor, mas na verdade é para exibir o corpo, o relógio de grife e o carrão que está atrás antes que a financeira venha resgatar. Carro de molas rebaixadas e som alto, mas se você entrar eu te garanto que vai ficar bem baixinha nele. Suas frases sempre começam com um “pô” e terminam com um palavrão. Ele te chama de mina, canta sua amiga, sua inimiga e o periquita da sua vizinha. Não descrimina negros ou gays, desde que não toquem nele. Não te escreve, dá um ctrl+c ctrl+v e assina. Se colar, colou.

O homem com gravata de nó pronto nem sempre usa gravata, mas pode usar um tom bem bravata no final. Cuidado!

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Mitologia €uro Grega

A crise na Grécia se confunde com a sua própria mitologia. Há tantas lendas nesse imbróglio econômico que fica difícil saber como tudo começou e como isso vai terminar.

Certo é que dia 5 de julho haverá um referendo para o povo decidir sobre algo que ninguém sabe bem o que é. Se ao menos Aristóteles estivesse por essas bandas, os números do relatório que o FMI disponibilizou na internet poderiam ser, quem sabe, melhor explicados. Mas nunca seriam compreendidos de verdade.

Ainda que estivéssemos nos tempos da Grécia Antiga nem mesmo os papiros seriam capazes de contar todos os desdobramentos dessa crise colossal que atualmente a Reuters tenta, mas no fundo no fundo não consegue explicar. Se bem que, se viesse um Cavalo de Tróia lotado de Euros o problema da Grécia atual já teria sido resolvido sem precisar invadir lugar algum.

Com os olhos voltados para os bancos e não para o Monte Olimpo, milhares de pensionistas gregos rezam para conseguir sacar os euros que eles têm em suas contas. Medo de um calote do governo do primeiro-ministro “Zeus” Alexis Tsipras, que posa sem gravata e também sem grana e sem argumentos convincentes.

O destino do povo grego dessa vez não está nas mãos de Atena, Afrodite e cia, mas nas garras da União Europeia e dos homens do FMI, esses sim com gravatas italianas de seda pura.

Só Deus mesmo para tirar a Grécia dessa crise. Alias, para um povo que historicamente era politeísta é bom poder contar com mais de um ser superior para ajudar nessa difícil missão.

Seja o qual for o final dessa história, vai ser difícil agradar a gregos e troianos numa mesma tacada.

                                                                                               No Facebook

segunda-feira, 1 de junho de 2015

CHARLIE, CHARLIE.

Uma nova onda invade as escolas e, infelizmente, também o frágil imaginário das nossas crianças. Duas canetas, uma folha de papel com as palavras sim e não e alguns meninos curiosos... Isso já é o suficiente para fazer a brincadeira funcionar. Ou não seria uma brincadeira?

Eu não estou aqui para provar por A + B que o giro da caneta é apenas o consequência da respiração proveniente das narinas das crianças que, debruçadas sobre a folha de papel, ficam ofegantes só de pensar na existência de um mundo que eles não conhecem. Também não quero convencer ninguém que foi o “coisa ruim” ou um espírito maligno que provocou o movimento para a posição sim ou não, pois eu já tenho um pouco mais de quatro décadas de idade e ainda não aprendi o suficiente sobre aquilo que não podemos ver ou tocar. Pudera, quando eu era criança a nossa brincadeira mais medonha era a Cobra Cega.

Hoje nós vivemos um tempo de redes sociais e zapzap, onde toda e qualquer informação (boa ou não) se espalha em segundos pelos smartphones que, querendo ou não, toda criança possui. Com isso, eu me assusto mesmo é com o impulso desses pequenos que tremem de medo, mas ainda assim não hesitam em querer desvendar os segredos daquilo que eles nem fazem ideia do que seja. Eu me impressiono a cada dia mais com a intelectualidade deles, que buscam a todo momento qualquer nova sensação para suas vidas, mesmo que seja precoce e perigosa.

Esta semana dois dos meus filhos (12 e 7 anos)  tiveram que dormir na minha cama por causa do tal desafio #CharlieCharlie. Mas apesar do prazer de dormir com eles grudadinhos como se bebê ainda fossem, eu não quero que isso aconteça novamente. Talvez o erro seja meu, que deveria obrigá-los a usar mais a caneta para escrever e aprender e não para fazer uma coisa tão idiota e sem fundamento. A verdade é que essa brincadeira se não for maldita por sua origem acaba sendo por suas consequências.

De qualquer forma aproveito para perguntar: #CharlieCharlie, você está ai? Então vá embora em nome de Deus.  

                                                                                                    No Facebook

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

10 PASSOS PARA SE FAZER UM COPY DE MERDA



O marketing digital está acabando com a arte de escrever. Um copy  (texto de vendas) deveria ser feito por um escritor persuasivo claro, porém acima de tudo criativo. Entretanto, nos últimos 3 ou 4 anos a qualidade de quem e do quê se escreve para vendas na internet está cada vez mais atrelada aos padrões minuciosamente descritos pelos chamados “gurus” do marketing digital.

Esses caras estão sempre bombando em redes sociais, blogs e afins. Visitam lugares paradisíacos, posam ao lado de carros de luxo e tem milhares de seguidores em seus perfis. São a verdadeira cara da riqueza. Ao lado deles, em um webinar qualquer, tem sempre parceiros de sucesso sorrindo e com aquela cara de quem diz: eu sou fd. Mas todos continuam no mercado simplesmente porque querem ajudar você, dizem eles. O narcisismo aparente lembra aquele tal de marketing multinível ou de pirâmide. 

E o mais engraçado é que a receita que eles tem para você escrever textos cada vez mais convincentes também não é totalmente nova. São as mesmas técnicas usadas por aqueles publicitários que se embrenhavam pelas madrugadas em cima de uma Olivetti Lettera e que ao lado de uma garrafa de café gritavam Eureca quando tinham uma grande ideia. E os verbos no tempo imperativo continuam sendo a chave do CTA (Call To Action). A diferença do atual web marketing está na origem do aprendizado. O “como ser”, “como vender” e “como enganar” (Ops! Saiu.), não são ensinadas ou aprendidas em salas de aula ou numa reunião do tipo brainstorm, mas esparramadas em sua tela depois de uma pesquisa no Google. Palmas para a tecnologia que nos ensina como ser criativo com apenas 5 dicas mágicas.

Para escrever esse texto eu também segui algumas dessas dicas. Gere ansiedade em seu persona, comece o título com “os 10 alguma coisa”. Já sobre o termo “merda”, é que em tempos de rede social, falar meios palavrões também pode ser uma técnica geradora de interesses. Inclusive, tem gente que fala coisa bem mais cabeluda e vende!

Bem, não vou me estender. Mesmo porquê eu acabo de revelar como eu te trouxe lendo até aqui. Só gostaria de deixar bem claro que não sou contra o marketing atual e nem sigo o estilo natureba que só come o que planta e não usa Nike ou qualquer grande marca. Gostaria apenas que você leitor repensasse sobre o que você anda consumindo de porcaria por causa da porcaria do poder de persuasão que esses textos de venda (cartas de venda) podem lançar sobre você.

E você redator/copywriter/escritor/criativo/marqueteiro de plantão, vê se não fica escrevendo merda por ai vai!

                                                                                                                            No Facebook

sábado, 11 de outubro de 2014

DINASTIA BRASIL

Diego Tardelli comemorando o segundo gol.            Fonte: R7
No café da manhã de hoje (07/10) em Pequim o biscoito da sorte chinês que o Dunga pegou deve mesmo ter vindo com uma mensagem do tipo: “Não importa o tamanho da montanha, o sol sempre pode superá-la”.

Superstições a parte do nosso novo velho técnico, o que se viu durante o jogo entre Brasil 2 e Argentina 0 foi mais ou menos nessa linha profética. O brilho da nossa camisa amarela sobrepondo a estável montanha da seleção argentina comandada por Messi, Di Maria e sua tropa. Contrariando as apostas de milhões de olhinhos puxados e quiçá alguns milhões de brasileiros, a nossa seleção ainda em reconstrução depois da derrota da Copa do Mundo do Brasil venceu com mérito a Argentina vice campeã mundial – a mesma que perdeu a final da Copa mas colocou água na cerveja da campeã Alemanha num recente amistoso em Dusseldorf, vencendo-a por 4 a 2.

Diz a história que na Dinastia Ming (1368 a 1644) tinha um exército de soldados composto por um milhão de chineses focados em vencer seus inimigos a qualquer custo. Talvez tenha sido essa a força e a inspiração que os nossos guerreiros tupiniquins usaram para vencer os argentinos e levantar pela terceira vez consecutiva a taça do Super Clássico das Américas, que por sinal era de chumbo e não daquela fina porcelana chinesa.

Os dois gols do samurai Diego Tardelli e o pênalti perdido pelo Messi  foram os pontos épicos do espetáculo.  Opa! Eu disse samurai? Bem, samurai é japonês e não chinês. Mas cá pra nós, num jogo onde nosso adversário foi mais made in China do que raça argentina, um samurai chinês com careca de Buda indiano e que come pão de queijo mineiro não me parece ser tão falso assim né!

Enfim, seja pela sorte do biscoitinho ou pelo talento dos nossos jogadores, o povo brasileiro espera que os ares poluídos de Pequim possam ter servido para alavancar o Brasil na longa caminhada que teremos até a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Tomara que hoje, do Estádio Ninho do Pássaro, possa ter renascido a nova seleção canarinho... Ou quem sabe, aquele velho e glorioso império do futebol conhecido pelo mundo inteiro como a Dinastia Brasil.

domingo, 22 de junho de 2014

Sonho Americano

EUA 2 X 2 PORTUGAL

Com esse empate a seleção dos Estados Unidos promoveu mais uma surpresa nesta Copa do Mundo. Pensando bem, até parece que o português Cristiano Ronaldo (CR7) já previa isso, já que ele entrou em campo com um ‘Z’ de zebra riscado na cabeça.

E como zebra em inglês também se escreve com ‘Z’ (zebra), acho que os jogadores americanos entenderam isso como uma provocação e jogaram um futebol de qualidade, aguerrido, digno das grandes seleções do mundo.  Tanto que os EUA venciam o jogo até os 50 minutos do 2º tempo, quando Portugal empatou e deixou a decisão do Grupo G para a última rodada.

Decepção para os milhões de telespectadores em território americano que pela primeira vez estão gerando altos índices de audiência para o 'soccer', como eles dizem. Tristeza também para a colorida torcida americana que lotou a Arena Amazônia e contou com o reforço de fantasiados heróis da Liga da Justiça. Estes só não usaram seus super poderes para conter Portugal porque o calor e a umidade de Manaus estavam de matar.

No final, foi um empate com sabor de derrota para os EUA, que está evoluindo cada vez mais nesse esporte. Por isso, para as demais seleções da Copa vale ai o recado do velho Tio Sam:  I WANT YOU! (EU QUERO VOCÊ!)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Deus Salve a Rainha, Rooney, Gerrard e Cia.


URUGUAI 2 X 1 INGLATERRA

Na partida de hoje o Uruguai jogou com alma e raça celeste, como manda a tradição. A força de vontade da equipe foi tamanha que eu juro que vi o lateral Álvaro Pereira cair, morrer e ressuscitar logo em seguida. Cruz credo!

Quis o destino que o atual artilheiro do campeonato inglês, o uruguaio Luis Suárez, fizesse os dois gols na Inglaterra. Sendo que só a sua presença em campo já era um milagre, já que ele operou o joelho recentemente e muitos o davam como carta fora do baralho nessa Copa.

E por falar em milagre, o inglês Rooney marcou o seu primeiro gol em Copa do Mundo. Aleluia! Quebrando assim a maldição que pairava sobre sua cabeça (cheia de cabelos novos, diga-se de passagem).

E agora, os ingleses que inventaram o futebol e perderam o manual de instruções, terão que rezar muito contra um empate no jogo de amanhã entre Itália e Costa Riquíssima. Do contrário, só mesmo um santo matemático para ajudar!

Tudo indica que pelo menos o lugar deles já está garantido no céu... Rumo à Inglaterra!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Brasil 0, México 0 - Isso, isso, isso!

Esse jogo mostrou aos brasileiros que o México deve ser lembrado não só pelo seriado de TV Chaves, mas também pelo competente futebol.  

E nem adianta o Felipão dizer na coletiva que empatamos quando poderíamos empatar, tipo foi sem querer querendo. Nem insinuar que ninguém tem paciência comigoCale-se, cale-se, cale-se, você me deixa louco!  A verdade é que a seleção brasileira precisava muito dessa vitória para se firmar de vez dentre as favoritas e não se misturar com essa gentalha (digo, com esses times que vieram só passear). 

Bastidores a parte, no jogo a bruxa do 71 parecia que estava realmente solta para os jogadores brasileiros. Foram 4 bolas que tinham a direção certa do gol, mas que pararam nas mãos do excelente goleiro mexicano, Ochoa.  Pois é, pois é, pois é!

 E quando o juiz apitou o final do jogo, PI-PI-PI-PI, se eu pudesse eu faria como o Chaves:  iria correndo me esconder num barril. Deu vontade de gritar MAMÃÃÃE como fazia o Kiko. É que o empate teve um gosto bem amargo, AGRRRRRR!  Mas não se irrite, o Brasil ainda é o líder do grupo no saldo de gols.

Mas se dá para apontar um culpado pelo empate de hoje tinha que ser o Chaves... Mentirinha! Foi o goleiro Ochoa mesmo.

No mais, arriba Brasil! 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Uma Caravela a Menos

Mais de meio século se passou desde o descobrimento do Brasil e a Bahia voltou a receber uma fragata portuguesa. Porém dessa vez, as lembranças daquela nação aventureira e colonizadora se resumiram ás barbas de Raul Meireles, ao bigode de Hugo Almeida e ao escudo glorioso e imponente da camisa grená.

Ao desembarcar na Arena Fonte Nova os nossos lusos encontraram uma moderna Alemanha que tinha, além da sua chanceler Angela Merkel na tribuna de honra, também uma seleção já bem ambientada com o clima da Bahia.  Já que treinam em Santa Cruz de Cabrália, justamente na costa do descobrimento de 1500.

O placar do jogo, 4 a 0 para Alemanha, reflete bem o que aconteceu. O time lusitano não conseguiu navegar na onda formada pela torcida, a Ola, e nem no esquema tático programado pelo seu técnico. Foi uma pena, já que um povo tão grato aos irmãos portugueses certamente estava torcendo para que Portugal redescobrisse o Brasil, ou o Brasil descobrisse o Portugal da bola.

Dessa vez os portugueses não encontraram índios de peles amarronzadas, mas alemães torrados pelo sol da Bahia; não receberam a carta de Pero Vaz, mas a copia da súmula de jogo; e não admiraram a beleza nativa das Terras de Santa Cruz, mas o topete cuidadosamente modelado do CR7.

Fato é que, nessa curta viagem na Copa do Mundo ainda há esperanças, já que os nossos patrícios perderam apenas uma de suas caravelas. Mas já vou avisando: o mar é de todos, mas o Brasil (agora) é nosso!

Então, até nos encontrarmos... Boa sorte Portugal!

domingo, 15 de junho de 2014

NÃO CHORES POR MIM ARGENTINA

O título da antiga canção dedicada à Eva Perón poderia bem ter sido emprestado a Lionel Messi no jogo de hoje, Argentina 2 X 1 Bósnia.

Um jogador fora da sua melhor forma, bloqueado em quase todas as suas tradicionais subidas em diagonal ao ataque, mas que aos 19 minutos do 2° tempo mostrou que ainda está bem longe de ouvir os choros e as lamentações de seu povo. Messi arrancou, tabelou com Higuain e marcou um golaço, calando mais da metade do Maracanã que o provocava cantando “Olê, olê, ola, Neymar, Neymar”.

É Brasil! De Evita à Anitta eu só posso avisar uma coisa: PRE-PA-RA! 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Robben “Hood”

No mais belo jogo até agora na Copa, Espanha 1 e Holanda 5, o holandês Robben incorporou um velho personagem do século XIII: Robin Hood.

Assim como o mítico ladrão que tanto inspirou filmes e desenhos, Robben também estava impossível de se deter. Ele fugiu das marcações com implacável habilidade e, como se portasse arco e flecha, deferiu chutes fortes e precisos em direção ao gol da nobre seleção da Espanha. Das temidas flechadas, duas foram certeiras. Mas sem dúvida a mais bela de todas infelizmente não resultou em gol: Um chute de primeira aos 41 minutos do segundo tempo contra Cassillas.

E assim a vitória audaciosa da Holanda sobre Espanha também terminará em festa, como na velha lenda de Robin Hood. Afinal, esse Robben careca, atrevido, impetuoso e sem chapéu de pena também roubou, deitou e rolou em cima da realeza espanhola... Que não cobra impostos mas é a atual dona dos títulos mais importantes da Europa e do mundo.

Mas apesar da vitória da velha laranja, das florestas de Sherwood aos gramados da Arena Fonte Nova em Salvador, o grito que mais ecoou não foi em neerlandês ou inglês, mas em espanhol: OOOOOLÉ!

terça-feira, 10 de junho de 2014

5 DICAS INFALÍVEIS PARA VOCÊ TORCER SEM CULPA

Há mais ou menos um ano surgiram as primeiras manifestações no Brasil. Teve luta por 20 centavos, por moradia, a marcha das vadias e a maior de todas: Contra os bilhões investidos na Copa do Mundo do Brasil.

Porém agora, próximo do início do evento, parece que os brasileiros começaram a incorporar o espírito futebolístico “Pra frente Brasil, salve a Seleção!”. E do lado de fora, no banco de reservas, está ficando o revolucionário que tanto fez e falou durante os protestos.

Então, para você que ainda está em cima do muro e não sabe se chuta ou pede para sair, se pendura a bandeira na janela, se pinta ou não o seu muro de verde amarelo, segue abaixo algumas táticas para você vibrar com os jogos do Brasil sem culpa e sem ser tachado de vira folha:

1º - Use o Facebook para convocar um protesto justamente para o dia e hora do jogo do Brasil. Um monte de gente vai curtir e compartilhar, o seu post vai bombar na rede. Mas é claro que você não vai comparecer né! Mas como também ninguém vai, pode ter certeza, ninguém irá perceber a sua ausência.

2º - Publique em todas as suas redes sociais fotos de manifestações recentes. Numa simples pesquisa no Google você achará um monte delas. Junto às imagens escreva algo do tipo “O bixo tá pegando aki.. os PM estao mandando as bomba d efeito moral” (assim mesmo, cheio de erros pra mostrar que você escreveu com pressa). Mas cuidado para não usar fotos das manifestações de 1989, do impeachment de Collor.

3º - Nesse período de Copa ande sempre com uma latinha de rapé no bolso e quando estiver chegando no trabalho ou no meio da sua turma de amigos passe um pouquinho do pó nos olhos. Vai arder pacas, mas logo você se acostuma. Olhos avermelhados = efeito do gás de pimenta da sua última manifestação, sacou?

4º - Não cometa o equívoco de convidar seus “amigos” de manifestações para assistir o jogo na sua casa. E, na hora do jogo nunca atenda ao telefone fixo. Quanto ao celular, tá liberado! Basta gravar barulhos de protestos do Youtube e deixar rolar num mp3 player enquanto você estiver atendendo alguém. Dá trabalho, mas fica bem real! Já com os familiares presentes, abra o jogo e aguente as piadinhas. Do contrário, você terá que segurar até o grito de gol e isso pode fazer mal para o seu eu interior.

5º - E o mais importante de tudo: Cuidado com quem você compartilha esse texto, senão, seus amigos revolucionários saberão das suas táticas. Afinal, você passou um ano inteiro falando pra eles que não ia ter Copa e agora vai assistir a seleção, todo bobo, com o rosto pintado de verde e amarelo e a mão no peito cantando o hino nacional. É muita contradição né!

E, se depois disso tudo alguém ainda te disser que você é um traidor do movimento por um Brasil melhor, apenas lembre-o: “O Lula e a Dilma também já foram oposição e hoje são situação e ninguém fala nada!”

Que comece o jogo!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O TIC TAC PAROU!

Dizem que jogo bom é aquele que passa rápido, a partida de hoje 09/04 entre Atlético de Madrid e Barcelona foi assim.  Apesar da costumeira posse de bola do time Catalão, o tal TIC-TAC, o Atlético acertou os ponteiros do Barça de vez e o eliminou da Liga dos Campões da Europa.

Com a técnica delicada e milimétrica de um autêntico relógio suíço, o time de Madrid meteu três bolas na trave e chegou ao gol com Koke antes mesmo dos 19 minutos do 1º tempo... Já eram sinais claros da força e da resistência de sua caixa. Apesar do técnico Diego Simeone não ter contado com o outro Diego em campo, o Costa, ele conseguiu impor seu estilo aguerrido com uma marcação implacável em cima dos craques catalães. Sempre com o pulso firme, típico dos argentinos.

Pela primeira vez neste ano, assistimos a um Barcelona que fazia ligações diretas entre o goleiro e ataque, que rifava a bola com frequência. Messi estava mais para uma cópia “ching ling” do que para um craque autêntico. Neymar só brilhou numa bela caneta que deu no zagueiro Tiago e Daniel Alves errou quase tudo que tentou em campo. No final, um pontual 1 a 0 levou o Atlético de Madrid para as semifinais da Liga.

Se fosse para tirar uma lição desse jogo eu diria que: Relógio bom não precisa ser Rolex, Cartier ou Vacheron Constantin, basta marcar o tempo (ou o tempo todo, como foi o caso).


Ah! Também não precisa mais fazer TIC-TAC.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

#FechadoComOTinga , mas...

Existem várias formas de uma torcida hostilizar um jogador adversário, mas o preconceito racial talvez seja a pior de todas. O fato que aconteceu com o jogador Tinga, do Cruzeiro, na partida contra o Real Garcilas, no Peru, é sem dúvida um retrocesso à evolução humana.

Mas imitar um macaco a cada vez que o Tinga pegava na bola foi apenas o topo da merda de torcedores em que nos tornamos ao longo do tempo. Discriminação por discriminação, isso também acontece em vários estádios aqui no Brasil, porém sem a imbecilidade organizacional que a torcida peruana conseguiu. Nós, agora sentados em cadeiras numeradas, também chamamos jogadores de macaco, de viado e gritamos palavras de baixo calão enquanto fingimos assistir a uma partida de futebol. Chamamos de gostosa a namorada do outro torcedor e até nas músicas que cantamos nos estádios, de norte a sul, nós fazemos rimas que sempre terminam com “U” (Viu? Rimou.). Brigamos dentro da nossa própria torcida e chutamos a cabeça do cara no chão. E no final do jogo, apesar de folclórico e aparentemente engraçado, ainda xingamos a mãe do juiz como se fosse a coisa mais normal do mundo. Falta respeito, Fair Play de torcida!

Demagogia pura! Não existe preconceito pequeno, médio ou grande. Preconceito é preconceito e ponto! (De exclamação)

Fechado com o Tinga sim, mas também fechado com a mãe do juiz e com o torcedor que prefere ensinar ao seu filho a palavra mais emocionante do futebol: GOOOOOL!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

ÚLTIMO FILME

No último filme de Santiago, o cinegrafista assassinado com um rojão no Rio de Janeiro, ele não pode captar a imagem mais importante dos últimos cinco dias, já que nesse caso ele era o foco.

No último filme de Santiago ele não deu um close na cara de pau do filho da mãe que passou o artefato para o seu comparsa e ainda disse descaradamente que não o conhecia, pois Santiago lutava pela vida em um hospital.

No último filme de Santiago, Brasília não era o plano de fundo e nem a aprovação de um novo Código Penal a pauta principal. Ainda teremos que conviver com muitos Habeas Corpus, indutos de Natal e impunidades nesse país sem lei.

No último filme de Santiago ele não pode flagrar a violência desses Black Bloc´s malditos, mascarados vestidos de preto, mas filmou o esforço dos médicos vestidos de branco que tentavam em vão salvá-lo.

No último filme de Santiago ele não ganhou notoriedade pelo seu belo trabalho, por seu profissionalismo e pela dedicação que tanto teve por sua profissão, mas ficou conhecido pela notícia de sua morte em todas as emissoras de TV, no Brasil e no Mundo.

No último filme de Santiago a sua família que ele tanto soube amar, cuidar e prover, não estava sorrindo como ele gostaria. Todos choraram, mas tiveram a dignidade de doar seus órgãos como era de sua vontade.

No ultimo filme de Santiago a sua câmera caiu de forma triste e lenta, em quatro cliques e em cenas e ângulos diversos. Mas infelizmente o filme com um roteiro de pura violência em que nós nos metemos continua rodando, sem parar. Cabe a cada um de nós cuidarmos para que a Paz um dia seja a nossa próxima cena, sem truculência, sem vandalismo e sem mortes descabidas como esta.

Descanse em paz Santiago, porque nós...

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

BEIJO GAY, PAPAI EU SEI!

A novela global Amor a Vida mal terminou e o Brasil já começa uma nova novela. Um beijo gay num capítulo final, em horário nobre, não deveria ser motivo de ódio para ninguém e nem  de orgulho para tantos outros.

O mundo está mudando e os “politicamente corretos” terão que aceitar as diferenças mais cedo ou mais tarde. Cada vez mais as nações do mundo estão aprovando o casamento gay e os direitos desses “doentes” (segundo o Deputado Feliciano) estão sendo respeitados. Para quem não concorda com o movimento GLBT, tenho uma ótima notícia: Vocês terão que banir de suas vidas alguns programas como BBB e as novelas da Rede Globo, que há muito tempo estão usando o homossexualismo para conseguir altos índices de audiência na TV. Porém, isso não evitará que vocês topem com homossexuais se beijando nas ruas ou mesmo na pracinha do bairro enquanto você ensina seu filho a andar de bicicleta. Provavelmente ele achará bem mais normal do que você.

Por outro lado, esta conquista não significa que você deve sair por ai rebolando com uma camisa “SOU GAY, E DAÍ?”. Levantar essa bandeira só fortalece ainda mais o preconceito dos radicais e muitas vezes até das pessoas de bom senso. As pessoas não se irritam apenas quando um gay fala alto no metrô, se irritam quando “alguém” fala alto no metrô. Nem tudo que você vê, ouve ou lê é homofobia! Por isso, pare de frescura!

Para finalizar, quero deixar bem claro que não estou em cima do muro, tenho minha condição sexual e principalmente social muito bem definida: sou heterossexual. Mas não tenho preconceito e saio desse texto assim, á francesa...

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

AH, PARA VAI!

Gostaria de falar sobre a polêmica da pessoa que tatuou no corpo o nome do comediante, ator, vlogueiro, empresário, escritor e fundador Grupo Para (valeu Wikipédia), “Felipe Neto”.

Certa vez um amigo disse que só faria uma tatuagem se fosse algo que tivesse alguma utilidade no seu dia a dia, uma fita métrica indo de um braço ao outro por exemplo. Ele era marceneiro.

Bom, dado ao alto custo de uma remoção a laser, uma tattoo deveria mesmo representar algo de extrema importância para quem se dispõe a levar por horas e horas as dolorosas agulhadas, e muitas vezes numa posição não muito confortável. Algo marcado na sua pele deve ser sua identidade, sua tribo, sua profissão, seus desejos ou mesmo, seus mais ínfimos sentimentos.

No caso da pessoa que tatuou o nome do Felipe Neto no corpo, entendo que ela deve gostar muito dele e do seu trabalho. É alguém que viveu e vive muitos momentos de alegria assistindo seus vídeos de humor escrachado e moderno, seus posts e toda a criativa “parafernalha” (permita-me o trocadilho) que ele consegue criar.

Mas penso que todo ser humano é passível de erros e decepções e o Felipe Neto não é diferente. Tatuar seu nome é o mesmo que engessar no tempo sua índole, seus conceitos e suas atitudes. Se amanhã, mesmo que não intencionalmente, ele decepcionar o dono dessa tattoo, certamente o nome será coberto por um dragão qualquer. Mesmo que a pessoa não goste de dragões (foi o que deu).

Se tattoo fosse a minha onda eu escreveria na pele os sentimentos que o trabalho do Felipe e sua equipe provocam em mim: Alegria, Perplexidade, Entusiasmo, Reflexão, Felicidade...

Penso que isso seria menos polêmico e muito mais duradouro.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Rolezinho (Ela era de leão e ele tinha 16).

Quando eu tinha 16 anos eu ouvia Legião Urbana. Também era "aborrescente", mas se existe algo que eu fazia questão de não fazer questão nenhuma: era andar em bando. Já dizia minha mãe: “um é solidão, dois é parceria, três é turminha, mais que isso é quadrilha”.

Os rolezinhos são a tempestade que chega, mas não tem o castanho dos olhos, tem o cinza do terror que provocam nas pessoas. Hoje nos shoppings centers, amanhã nos parques da cidade, um dia na cadeia. É uma festa estranha, com gente esquisita e isso não é legal. Por mais que alguns queiram apenas se divertir junto vem um monte de bandido infiltrado, como nas manifestações do ano passado, e muitos entram na onda. Esses garotos são tão anarquistas quanto eu era na década 80, porém agora eles têm a força da internet (onde são organizados os encontros) e a impunidade da atual justiça a seu favor.

Gostaria de ver meninos e meninas tão jovens curtindo Bandeira, Bauhaus, Van Gogh, Mutantes, Caetano e Rimbaud, ou, no mínimo, no esquema escola, cinema, clube e televisão – e não descendo até o chão sonorizados por letras indecentes de funk ou escrevendo “comcerteza” e “naum” nas redes sociais. A pobreza não está no que podemos ter ou tocar, mas no espírito, naquilo que buscamos ser por dentro. Inclusão social não se impõe, se conquista principalmente com educação. Educação que hoje temos mais acesso através de cotas especiais em faculdades, ENEM´s e SISU´s da vida. Então, não temos tempo a perder.

Até quando os rolezinhos vão durar? Não sabemos. O que sabemos é que esses Eduardos de bonés de aba reta e Mônicas de melissas e shortinhos, estão adorando tudo isso, tipo: tem uma festa legal e a gente quer se divertir.

A minha opinião, como a da maioria das pessoas de bem, rouba trechos de Renato Russo, aquele que mesmo sendo um drogado soube como ninguém eternizar sua rebeldia em música.


Acho isso um TEMPO PERDIDO... SELVAGEM, SELVAGEM, SELVAGEM!

sábado, 21 de dezembro de 2013

Querido Papai Nobel.

Neste Natal eu gostaria que o senhor trouxesse mais respeito para os pobres que dormem nas ruas, segurança para a população que clama por paz e saúde para os enfermos que lotam os corredores dos nossos famigerados hospitais públicos (mas sem médicos cubanos, por favor!).

Gostaria também que o senhor não viesse com aquela pomposa roupa vermelha como de costume, nem com aquela banca de “rei da bala chita”. Quem sabe assim nossos filhos percebam que quem põe a mão no bolso é a gente, e passem a nos dar mais valor pelo menos nessa época natalina.

Eu adoraria também que o senhor deixasse as fantasiosas renas voadoras na Lapônia e viesse de ônibus lotação para ver o que a gente passa por aqui no dia a dia. Se quiser filmar isso e dar de presente para empresários do ramo, agradeço.

Com um esforço a mais, dê também uma passadinha em Brasília e deixe para nossos políticos corruptos um saco de risadas de presente. Assim os jaquetões não terão que gastar as suas preciosas amídalas rindo da nossa cara a cada novo golpe que aplicam com o nosso dinheiro.

Ah! Se ver por ai alguma manifestação por moradia, pela aprovação da lei tal ou por menos 20 centavos de aumento de passagem, eu queria que o senhor participasse também. Mas não se esqueça de trazer o vinagre, pois bondoso como é certamente vai querer ficar na linha de frente.

Peço também que aproveite a visita ao nosso mundo cruel e converse com alguns maus velhinhos que estão por ai, eles estão molestando crianças e o presente que merecem é xadrez. E não é o da praça.

Gostaria também que trouxesse mais inocência para os escritores de novelas. Não aguentamos mais ver tanta safadeza, traição e apologia às coisas erradas no horário nobre. Peraí, eu disse nobre?

Presenteie a CBF com um curso de gestão que eu também vou te agradecer muito viu. Pois esse sobe e desce de tapetão não é coisa de bom menino. Acho que eles não sabem o que fazem.

Se puder, traga também uma namorada nova para o Neymar, letras inteligentes para as músicas chicletes, um dicionário de português para a geração Facebook e um spray de tinta irado para o Justin Bieber. Assim, ao invés de cuspir nas suas fãs aborrescentes ele pode fazer um grafite na cara delas.

Bom, quero te dizer que também cometi muitos erros este ano e, mais uma vez, eu não mereço presente. Mas as nossas crianças inocentes merecem um mundo mais legal para se viver.

No mais, tenho que confessar que mesmo que o senhor traga tudo que eu te pedi, eu não posso garantir que as pessoas acreditem na sua existência. Mas garanto que será o próximo Nobel da Paz, seja o senhor o que quer que seja!


Ho, Ho, Ho! 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

NO BAR TODO MUNDO É IGUAL (e na doença também)

A vida boêmia do Rei do Brega, Reginaldo Rossi, sempre foi regada a farras, bebidas e cigarros. Não tão diferente de nós, moderninhos, que nos exibimos em fotos de redes sociais erguendo o copinho de cerveja com um orgulho e uma supremacia que não dá pra curtir nem compartilhar.  A turma do UHUUU atrás, os olhos estatelados e o sorriso fácil não escondem o estado etílico que não é exemplo nenhum para nossos filhos ou para qualquer outra criança que tenha acesso a essa nova sociedade virtual (alterando o ano de nascimento no cadastro, tá na rede).

A idéia é pararmos e repensarmos sobre o que queremos deixar para outras gerações. Ou, caso não queira deixar nada, não vá para o próximo parágrafo.

Chamar pelo nome o garçom que cansou de escutar suas centenas de caso de amor, demonstra mais do que uma fidelidade improdutiva, é um encontro marcado do seu fígado ou do seu pulmão numa outra mesa não tão alegre quando a de um bar, da sala de cirurgia. Ou, a curto prazo, aquela ressaca podre que te faz faltar ao trabalho mais uma vez. 

O sucesso do cantor plebeu que venceu em meio a um reinado musical elitizado deve sim ser reverenciado. Afinal, de bailes à cabarés, de amores não correspondidos à famosa dor de corno, ele tornou público muito do que a sociedade queria esconder.

Mas o que é questionável não é o talento ou a nossa cervejinha de fim de semana, e sim os vícios que não levam ninguém definitivamente a sucesso algum. O máximo que podemos conseguir é uma cirrose hepática ou um câncer de pulmão com muitas metástases. E esse último, infelizmente, é o caso do Reginaldo Rossi. Sem contar que muitos idiotas ainda dirigem depois de beber, auxiliados por outros idiotas tecnológicos que criam aplicativos para avisar onde estão as blitz da Lei Seca.

Ser simples e buscar a felicidade nas coisas cotidianas e, se possível, naturais, é a melhor opção para se viver bem. E isso é servido de bandeja pra gente, sem comanda ou custo algum. Claro que nada impede que sejamos atropelados na calçada de casa, sendo saudável e malhando a nossa endorfina toda manhã. Mas se podemos evitar pra quê arriscar, não é mesmo?

Então, prefiro viver uma vida sem álcool, sem cigarros e sem noitadas. Feliz e “sem graça”... Mas se eu pegar no sono, me deite no chão. 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Professora, posso ir ao banheiro?


Hoje eu fiquei sabendo que acabou a greve dos professores municipais no Rio de Janeiro! Depois de quase 3 meses de paralisação, muitas faixas criativas, quebradeira no centro do Rio, bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e muito spray de pimenta, finalmente eu poderei voltar as aulas na próxima terça feira. Meio traumatizado, de certo, já que quando penso na imagem dos meus professores queridos ao lado daqueles homens mascarados que quebravam tudo, percebo que isso não será assim tão fácil de esquecer. Até o Batman, meu grande herói, foi preso pelos PMs... Quer mais?

Confesso que no início dessa greve eu estava até gostando. Soltei pipa, brinquei o dia inteiro, namorei no Facebook, roubei banana no quintal do vizinho e bati todos os recordes no vídeo game. E olha que eu jogava na casa do meu amigo hein! Só comecei mesmo a ficar chateado com essa paralisação quando minha mãe perdeu o seu emprego. Ela trabalhava exatamente no horário em que eu estudava e teve que faltar todo esse período para me vigiar (ou tentar). E agora no finalzinho eu também não tinha mais nada pra fazer, estava muito sem graça.

Não sei como foram as “férias” dos outros 45 mil alunos que também ficaram sem aula, mas acho que não deve ter valido à pena. Mas saibam que esse período também foi pedagógico pra gente, viu. Eu, por exemplo, aprendi Português com os bate-bocas de vocês com os PMs, aprendi Ciências ao estudar o efeito dos sprays de pimenta nos olhos dos grevistas e hoje aprendi Matemática quando tentei calcular a diferença exata entre os 19% de reajuste reivindicados para os 8% dados pelo nosso cruel prefeito. Mas a aula principal foi mesmo a de História, pois como vocês sempre nos ensinaram: numa guerra, todo mundo perde!

Se a culpa é da Prefeitura ou dos professores, não me importa. Afinal, quando um não quer, dois não brigam. Nota 0 para todos!

E agora professora, eu posso ir ao banheiro?

domingo, 13 de outubro de 2013

Desculpe, mas nós gostamos!


                                     
                                 Ladrão tenta roubar uma moto e é baleado por um policial que passava pelo local.


O que faz com que nós, pessoas de bem que tentam seguir as leis de Deus e dos homens, aplaudamos uma cena dessa? Afinal, é um ser humano sendo baleado.

Na era da rede social, a melhor forma de se medir esse estranho prazer são os milhares de curtir, comentários e compartilhamentos que o vídeo acima teve. Parece que, se todos os “facebucanos” e “twiteiros” pudessem trocar seus iPhones por uma arma na hora que o caboclo cometia o crime, eles fariam o mesmo que o policial fez. PEIN! PEIN! É triste, mas é a real.

Talvez isso seja o resultado do nosso cansaço, já que não suportamos mais ver nossos filhos serem assassinados na porta de casa por causa de 10 reais, de ter nossos veículos furtados nos sinais de trânsito e de viver numa prisão dentro do próprio lar. Não queremos mais comida delivery,  gostamos de sair, de se divertir, de voltar pra casa sem medo e com o Rolex no pulso, seja ele falso ou verdadeiro. Queremos a liberdade que nunca tivemos de volta!

Esses caras estão roubando nossos bens, matando nossa gente, levando a droga até as nossas crianças. E infelizmente, em comunidades carentes, nossas crianças estão fazendo do crime um objetivo de vida. O bandido está virando herói! E, de quem é a culpa?

Sociólogos culpam o governo por não dar condições para que essas pessoas sejam incluídas na sociedade, psicólogos dizem que isso já faz parte da índole desses caras, políticos não falam sobre o assunto porque estão muito ocupados com a próxima eleição e o resto da população diz que é pura safadeza!

Fato é que precisamos dar um tiro (quer dizer, um basta) nessa situação. Ou mudamos a lei, ou viramos fora da lei... Justiça com as próprias mãos. Passa pra cá meu revolver pois eu já estou no meu limite!

Diante disso tudo eu acho que a resposta a pergunta do primeiro parágrafo desse texto não é tão difícil assim de se descobrir: sentimento de injustiça, de impunidade, revolta. Mas os motivos para que as leis desse país continuem tão brandas e ineficientes eu confesso que não sei explicar, apenas arrisco um palpite: é burrice mesmo!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

513 Anos Depois...

(Sobre o belo jogo do Brasil contra Portugal em 10/09/2013)
A bordo de sua nau, com uniformes grená de escudo imponente, portugueses barbudos e com cabelos moicanos avistaram de longe homens tupiniquins com suas vestes amarelas. Então os patrícios adentraram pelo Rio Charles e atracaram no Gillette Stadium, em Boston. Lá se confrontaram com um time de índios habilidosos, mamelucos consagrados, negros craques e uma miscigenação de raças oriunda de uma terra longínqua chamada Brasil. Todos regidos pelas tribos Neymaris e Scolaris.
No jogo da sedução os portugueses não conquistaram ninguém com espelhinhos e suvenires, mas não dá para dizer que não foram recebidos com festa.  O placar foi de 3 X 1 para o Brasil, mesmo diante das jogadas violentas do time de Portugal.
Se Pero Vaz de Caminha twitasse algo ao Rei Dom Manuel certamente seria: “Putz, era pra ser um amistoso!”


Hexa à vista!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

INFORMA&MISTURA: Torra Torra Donadon

A rede de lojas Torra Torra diz que a responsabilidade pelo desabamento do prédio no bairro São Mateus em São Paulo é de Mostafa Abdalah Mustafa, que alega que o erro é da engenheira, que diz que o problema é da Torra Torra e segue o baile...
Já na Câmara em Brasília, a responsabilidade na manutenção do mandato do presidiário deputado Natan Donadon não foi de ninguém, já que a votação foi secreta.

A obra em São Paulo já tinha sido embargada há 6 meses pela prefeitura, mas em função da burocracia corrupta e inescrupulosa dos órgãos públicos a mesma continuava em andamento.
Já a vergonhosa sessão da Câmara foi suspensa ontem, dia 2, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, mas Donadon continua como deputado.

A prefeitura de São Paulo prometeu fiscalizar as obras embargadas com mais rigor a partir de agora.
A Câmara finalmente aprovou hoje o projeto do fim do voto secreto. “Antes tarde do que nunca”, diziam nossos avôs.

RESULTADO GERAL:
No desabamento do prédio morreram 10 pessoas e 26 ficaram feridas.
Na votação que manteve o mandato de Donadon ninguém morreu, mas milhões de brasileiros ficaram gravemente feridos: com a cara inchada de vergonha, por ter colocado essa cambada de safado de gravata para governar esse país.

Torra torra Donadon, como deputado ou não... Na cadeia!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Se é “Bayern”, é bom!


  A Bayer, multinacional fabricante de remédios, é a dona desse slogan, mas hoje ele foi roubado com muito mérito pelo time do Bayern de Munique. E foi o poderoso Barcelona que teve que provar a força desse santo remédio e, de certa forma, também os milhões de telespectadores que assistiram a partida.

  Ver o time alemão do Bayern vencer o Barcelona de goleada nos dois últimos jogos pela UEFA Champions League só fortalece ainda mais o futebol. Todo esporte tem que ter diversidade, troca de poder, quebra de paradigmas, rotatividade. Certo é que o Barcelona ainda é o melhor time e Messi o melhor jogador do Mundo, mas essas duas humilhantes derrotas já mudam um pouco o rumo da história. Repetição nunca é saudável, nem “eu te amo” todos os dias é bom. Soa falso, armado, previsível demais para ser a pura verdade.

  Não sou Bayern, nem Barcelona, mas gostei dessa momentânea inversão de valores. Torço para que não tenhamos nunca um futebol de herói, mas sim de heróis. Afinal, como dizia Nelson Rodrigues: "toda unanimidade é burra"!.

sábado, 27 de abril de 2013

LIÇÕES DO UFC


O povo brasileiro precisava mesmo de um “esporte” assim. Já não bastava o caso do goleiro Bruno contado com riqueza de detalhes em todos os canais da TV aberta, os jornais ensangüentados de 25 centavos comprados pra você passar o seu tempo no metrô e os telejornais das 19 horas com Datena e Cia mostrando a violência ao vivo e a cores... Não é isso, comandante Hamilton?

Mas a gente quer mais! Queremos algo que pareça saudável e que encha de orgulho essa nação. A gente gosta de heróis com caras e nomes bizarros, de Minotauros a Spidermans, de Shoguns a Cachorros Loucos. Afinal, somos um povo cansado de corrupção, de mensalão e de tanta diferença social. Também não agüentamos mais a violência que nos engole a cada esquina, a cada vídeo de mau gosto postado no Facebook e a cada semáforo mal iluminado em que fechamos o vidro do carro. Seríamos expostos a violência de qualquer maneira mesmo. Então, por que não fazer da truculência algo agradável ou desagradável de se ver? Algo que nos faça ranger os dentes e cerrar os punhos enquanto comemos batatas Rufles.

Mas um Octógono sujo de sangue não lembra nem um pouco a paz e a harmonia do esporte. Diferente do Judô, Kung Fu e do Taekwondo, a marra do MMA não sugere ética, disciplina e muito menos Fair Play com o oponente. Lembra uma rinha de galos que há muito tempo deixou de ser bonito aqui no Brasil. Mas convenhamos que a joelhada que o Anderson Silva deu no Sonnen não doeu nem um pouquinho em você, pois nos encheu de orgulho... Acima de tudo, somos brasileiros!

Só temos que ter cuidado: de “esporte” nacional a guerra mundial é só uma questão de ponto de vista. De como seus filhos assimilarão essa rinha elitizada, se é com um suave “muda de canal pai” como eu ouvi hoje - ou com um “eu adoro isso!” como eu mesmo dizia há 25 anos atrás, nas rinhas de galos.

Desculpe, mas é preciso bater... (Lições do UFC)

segunda-feira, 1 de abril de 2013

KIM DIO-TI-SSI

Mais de 100 mil militares e civis norte-coreanos participaram de um grande ato em Pyongyang para celebrar o teste nuclear realizado pela Coréia do Norte e saudar a "inigualável" coragem de seu líder Kim Jong-um. (Bom, pelo menos foi o que informou a imprensa estatal.)


Glorificação de seu líder, exibicionismo de material bélico, imprensa estatal, monitoramento da internet, bloqueio de redes sociais, controle total do governo sobre telefonia, educação, moradia, etc... Ufá! Essa é a Coréia do Norte!

Um país que há muitos anos vive uma dinastia totalitária absurda, que baseia seu governo no culto extremo aos seus líderes, agora, além de fazer sua população sofrer com os embargos e sanções da ONU pode também começar mais uma guerra tão idiota quanto qualquer outra. Também, não poderíamos esperar muita coisa de um general que nem chegou aos 30 anos, sem experiência militar ou política e de biografia desconhecida pela própria população. Kim Jong-un foi proclamado líder supremo da Coréia do Norte depois da morte de seu pai, Kim Jong-il, que também não era flor que se cheirasse (a propósito, existem flores na Coréia do Norte?).

E, desde que o garoto começou essa brincadeira de ser governante, ele já fez ameaças a Coréia do Sul, testes nucleares as escondidas e declarações contra os EUA. Mas agora o moleque Kim Jong-un está passando dos limites. Ele apontou seus mísseis “de verdade” para casa de seus coleguinhas. Merece uma coça, não é mesmo?

É claro que nós, pacíficos brasileiros, que não nos rebelamos nem com a roubalheira dos nossos engravatados, já estamos torcendo para que tudo termine em paz lá do outro lado do mundo. Mas se tudo der errado pelo menos eu já tenho algo, em bom coreano, para dizer a eles: KIM DIO-TI-SSI!

                                                                                                       Por Lange Pinheiro